Resenha crítica do artigo “Ressonância, materialidade e subjetividade: as culturas como patrimônios” do autor José Reginaldo Santos Gonçalves

 GONÇALVES, J. R. S. Ressonância, materialidade e subjetividade: As culturas como patrimônios. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v. 11, n. 23, p. 15-36, jul./2015. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0104-71832005000100002>. Acesso em: 4 nov. 2019.

O texto fonte foi dividido em resumo, seguido de três partes “Ressonância”, “Materialidade” e “Subjetividade”, totalizando oito páginas de texto, nas quais o autor busca estudar os contornos que o patrimônio pode assumir na cultura. Formado em Ciências Sociais com pós-graduação em Antropologia Cultural, José R. S. Gonçalves traz uma perspectiva sucinta sobre a tangibilidade da cultura através do patrimônio. Utilizando-se do entendimento de patrimônio como propriedade herdada, sendo ela bens materiais ou morais, Gonçalves busca utilizar-se de três categorias respectivas às três partes do texto para iluminar os contornos que o patrimônio exerce na definição de aspectos culturais nas sociedades, defendendo de forma central que não há subjetividade sem patrimônio.

Assim, partindo da noção de ressonância como alcance e repercussão do patrimônio na vida social, na primeira parte do texto após o resumo, o autor pondera que o patrimônio só se configura como tal quando algum individuo ou coletivo o reconhece e o legítima na posição de herdeiro, e que para tanto deve haver alguma substância na propriedade herdada que faça com que este herdeiro se identifique com ele. Este reconhecimento se dá de forma sensível despertando emoções e subjetividades. Sendo esta substância responsável por conferir um espírito de significação para os patrimônios. Aqui o autor parece trazer para o patrimônio (e seu manejo enquanto objeto) noções de símbolo e signo desenvolvidas por Goethe em suas obras, e posteriormente aprofundadas por Pierce, no campo da semiótica e Ponty no campo da fenomenologia. Dentre outros autores. Não obstante, nesta primeira parte Gonçalves faz um paralelo com os museus, chamando a atenção para o fato de que enquanto parte de uma identidade cultural, o enquadramento dado ao patrimônio pode alterar a extroversão das propriedades responsáveis pelo reconhecimento do mesmo.  

Já na segunda parte do texto, Gonçalves alude que por suas características simbólicas, o patrimônio sempre tem significações que são imateriais, metafísicas, racionais e porque não, sentimentais. Ao passo que apesar disso, só pode ser tangível através de formas, especificidades e técnicas que lhe configuram enquanto objeto. Assim o patrimônio assume sempre características materiais e imateriais. Ressalta ainda, nesta parte que as propriedades materiais do patrimônio acabam por delimitar as formas de utilização do mesmo. Sendo que as significações imateriais se dão pelas técnicas corporais usadas na manipulação dos objetos e nos sentimentos envolvidos nessa interação, delimitando por tanto contornos socioculturais que se dão em torno dos aspectos materiais. Afirmando que o patrimônio material tem papel fundamental no reconhecimento dos costumes de uma sociedade.

Por fim, o autor coloca que as relações das sociedades em torno do patrimônio cultural que lhes confere identidade também são responsáveis pelo processo de formação das subjetividades individuais e coletivas tendo em vista que geram significação para todos os aspectos das vidas e dinâmicas dos seres de uma comunidade. Aqui é importante relembrar, o fato de que o patrimônio constitui-se tanto de bens físicos quanto morais, passados entre gerações e que geram significações de mundo. E sendo a cultura um aspecto que é herdado de forma quase espontânea, por um ponto de vista, também é ponto de partida para o reconhecimento e uso do mesmo na reconstrução das significações culturais, por outro lado. Por tanto as relações das sociedades com os patrimônios são a ponte para a cultura, e logo para as dinâmicas de subjetividade e perspectiva de mundo.

Tais aspectos tratados no texto são informações  relevantes sobre os aspectos práticos dos objetos e dos bens culturais na formação da identidade e subjetividade de um povo. Conferindo assim grande importância para estudantes de museologia, arquitetura, antropologia, entre outros que busquem o entendimento da importância da cultura material, tal como a justificação para conservação do patrimônio cultural de uma sociedade.

REFERÊNCIAS

GONÇALVES, J. R. S. Ressonância, materialidade e subjetividade: As culturas como patrimônios. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v. 11, n. 23, p. 15-36, jul./2015. Disponível em: < http://dx.doi.org/10.1590/S0104-71832005000100002.>. Acesso em: 4 nov. 2019.

MERLEAU-PONTY, Maurice. Signos. 1. ed. Paris: Éditions Gallimard, 1960. p. 39-88.

PEIRCE, Charles Sanders. Semiótica. 4. ed. São Paulo: Perspectiva, 2016. p. 1-352.

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