Roteiro de estudos de arte e musealização II
1 -Ler a Introdução e a Parte I da tese Discursos e reflexividade: um estudo sobre a musealização da arte contemporânea de Elisa de Noronha Nascimento (pp 19 – 140)
R: Gostei muito de ler a tese, tenho certeza que em termos de material tanto quanto conhecimento, ela vai ser muito enriquecedora. É incrível a forma como a autora reflete sobre cada ponto colocado, às vezes até flexionando mais de 5 autores. Obrigado pela referência. Estou compreendendo a arte contemporânea como algo universalmente fluido que se utiliza de elementos para transformá-los simbolicamente através de processos que propiciem percepções inovadoras e reflexivas sobre o espaço, o tempo, a história, a cultura, a economia, os costumes, e demais aspectos que emergem das relações dos diversos agentes que a compõem, como público, artista, crítica, elementos culturais, elementos sensíveis e etológicos humanos que se manifestam através da obra.
V.
2 - Faça uma pesquisa sobre a autora da tese Elisa Noronha do Nascimento e escreva um texto a apresentando (10 a 20 linhas _ use as suas próprias palavras). (Procure responder estas perguntas: qual a sua formação? Onde estudou? Com quais autores dialoga? Onde trabalha ou trabalhou? Com qual linha teórica ela dialoga na museologia?)
R: A autora da tese “Discursos e reflexividade: um estudo sobre musealização da arte contemporânea” Elisa Noronha do Nascimento tem Bacharel em Artes Plásticas pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) onde elaborou seu TCC intitulado: “Um estudo sobre a imagem a partir da experiência prática com vídeo”, concluindo o curso em 2001. Obteve o título de mestra em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 2006, com sua pesquisa voltada para “O processo artístico como um dispositivo ficcional: da ficcionalização de objetos à ficcionalização do artista”.
Em 2013, Elisa Noronha do Nascimento concluiu seu doutoramento pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com a tese “Discursos e reflexividades” na qual faz um estudo aprofundado sobre a musealização da arte contemporânea, refletindo e flexionando os conceitos que a perpassam. Investigadora Doutora Contratada do Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, concluiu um pós-doutorado em 2015, mas vem desde 2014 desenvolvendo pesquisas relacionadas as interseções entre Estudos Artísticos e Estudos Museológicos. Professora afiliada pela mesma universidade onde atua como pesquisadora, é ainda responsável pela concepção gráfica das capas da revista MIDAS: museus e estudos interdisciplinares.
3 - De acordo com Elisa Noronha de Nascimento a História da Arte ocupou um lugar hegemônico nos processos de musealização. Procure situar historicamente o papel da História da Arte na musealização da arte e explique (use suas próprias palavras e use o texto da autora apenas para fundamentar seus argumentos).
R: Acredito que a musealização da arte está intrinsecamente relacionada as classificações e conceitos elaborados no campo da História da Arte, que de certa forma digere os diversos acontecimentos e formas do fazer artístico, em perspectivas históricas, estudando e reconhecendo suas diversas estruturas, criticando-as e elaborando núcleos de coesão entre elas que reforcem seus potenciais na representação das percepções humanas em diálogo com diferentes contextos.
Dessa forma, se por um lado a História da Arte vem estudando arranjos classificatórios que proporcionem coesão e coerência, dentro de linhas históricas, é o museu tradicional que as cristaliza, selecionando as obras a serem salvaguardadas. E tal mutualismo, foi realidade por muito tempo, enquanto os museus eram majoritariamente teatros da história da arte.
É a partir das reviravoltas político e sociais da segunda metade do século XX, e da paradoxal realidade das práticas artísticas da década de 60, que de um lado parecem flutuar livre de determinação histórica, e por outro encaixam-se em parâmetros institucionais do presente, que os museus de arte contemporânea começam a imprimir uma outra perspectiva de história da arte a partir do questionamento de seu objeto de estudo e da sua própria possibilidade de inserção e utilidade em um contexto pós-moderno, globalizado e de mudanças de ordem política e social constantes. A crescente importância das exposições de curta duração evidencia este constante movimento de auto reflexão do museu, a partir de seus processos museais, como também suas possibilidades de se estabelecer enquanto laboratório da cultura e da própria arte em sua construção histórica.
Elisa Noronha do Nascimento argumenta que a musealização da arte contemporânea deve considerar o tripé: História da Arte, Artistas e Públicos. Qual o significado deste tripé para a musealização? Como ele impacta na pesquisa museológica e sua aplicação nas ações de musealização: salvaguarda (documentação e conservação) e comunicação (exposições e educação)?
R: A partir dos anos 60 os museus têm constantemente se reinventado através de seus processos, adequando-se as agendas culturais, buscando captar uma parcela do mercado cultural, mas também reconhecendo suas potencialidades como ferramenta de transformação social, reparação histórica, valorização da diversidade e preservação e difusão da memória, e do patrimônio. Para tanto, no caso dos museus de arte contemporânea, eles devem estar em harmonia com o campo e seu objeto de estudo, já que em um contexto globalizado e pós-moderno estas diferentes esferas se infundem e se influenciam o tempo todo, validando-se em sinergia ou contrapondo-se em tensionamentos.
Na arte contemporânea, o artista provoca o público, convidando-o através de suas obras para a refletir sobre perspectivas, contextos, materiais e formas de percepção dos elementos intrínsecos a elas, que dialoguem com o universo de quem observa. Assim, nos museus de arte contemporânea a atividade deve buscar estabelecer estas práticas no espaço-tempo de suas exposições, buscando articular história da arte, artistas e públicos nos processos de muesalização.
Sendo a musealização um ato discursivo da realidade, deve estar preocupada em privilegiar os mecanismos que propiciem a experimentação e a ressonância de suas exposições. Privilegiando a reiteração de percepções de mundo pela esfera reflexiva, disruptiva e crítica da arte contemporânea como forma de pensamento importante, capaz de transformar nossas relações sociais, políticas e culturais através do conhecimento gerado.
Assim, a musealização da arte contemporânea deve sempre estar preocupada em contemplar o tripé mencionado de forma a articular o contexto de produção da obra, o artista em suas singularidades e manifestações culturais, as demandas do público e da sociedade. Buscando através da articulação de agendas de salvaguarda e comunicação, valorizar as diferentes manifestações culturais, privilegiando aquelas que contemplem as necessidades e gostos do público, através das diversas políticas culturais dentre as quais está inserida.
Escolher uma citação, elaborar uma pergunta relacionada com a citação escolhida. Montar uma imagem no Canvas. Enviar a imagem para o grupo do WhatsApp. A imagem será publicada no álbum do Facebook da página do Laboratório de Curadoria de Exposições Bisi Silva. Visite o álbum e faça comentários sobre as citações/perguntas elaboradas por no mínimo três colegas.
R: “No entanto, as questões formuladas por Foster incitaram não apenas o relativismo implícito à constatação da pluralidade de momentos e da diversidade de práticas que caracteriza a contemporaneidade da arte mas, principalmente, um posicionamento reflexivo em relação a maneira como a arte contemporânea vem sendo apresentada, estudada, discutida pelos historiadores da arte, pelos críticos, pelos museus. Dessa forma, destacam-se as reflexões de Kester sobre a subversão do “monopólio hermenêutico” do historiador de arte por uma autoridade interpretativa múltipla, protagonizada juntamente com o artista vivo e com o próprio público como coautor de práticas artísticas mobilizadoras de “afeto intersubjetivo, identificação e agência” (2009, p.9); de Kwon (2009) sobre a necessidade da história da arte contemporânea reconhecer que seu trabalho está muito mais em sintonia com a prática artística do que com a própria história da arte; de Lee sobre a “síndrome do alvo em movimento” e a natureza prematura da história da arte contemporânea em seu “perpétuo estado de devir” (2009, p.26); de McKee sobre as múltiplas institucionalizações da arte contemporânea – económica, política, cultural – o que implica “novos modos de filiação, possibilidade e cumplicidade para a atividade artística, crítica e pedagógica” (2009, p.65); de McDonough sobre a urgência de se pensar as “ligações transversais entre a prática estética e o terreno disputado das relações sociais”, e de perguntarmo-nos onde nos encontramos em relação aos mesmos (2009, p.124)” (NASCIMENTO, 2013, p. 30)
Pergunta: Arte gera arte!?
Referências Bibliográficas:
ARGAN, Carlo. A Arte Moderna. Companhia das Letras, São Paulo, 1992.
GOMBRICH, Eduard. A História da Arte. Rio de Janeiro: Zahar, 1970.
JANSON, W. H.; JANSON, Anthony F. Iniciação à História da Arte – 2º Ed. São Paulo, Martins Fontes, 1996.
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FREIRE, Cristina. Poéticas do Processo: arte conceitual no museu. 1. Ed. São Paulo: Iluminuras, 1999.
NASCIMENTO, Elisa de Noronha. Discursos e reflexividade: um estudo sobre a musealização da arte contemporânea. Porto, Tese de Doutorado em Museologia, Orientação de Alice Lucas Semedo, Universidade do Porto. Faculdade de Letras Departamento de Ciências e Técnicas do Património, 2013.

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