QUESTÕES SOCIAIS DOS NOVOS PATRIMÔNIOS
MONUMENTOS OU NÃO, REPRESENTATIBILIDADE E RESSONÂNCIA DO PATRIMÔNIO
ARANTES - REVITALIZAÇÃO DA CAPELA DE SÃO MIGUEL PAULISTA
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Essa revitalização foi obra de Arantes em 1977. Segundo o mesmo, “este trabalho coloca problemas em várias direções.”
A proposta de revitalização partiu de um Órgão do Estado, que estava interessado em conhecer as características socioculturais da Zona Leste de São Paulo. Aliada a isso, colocava-se a questão da revitalização dos edifícios de interesse históricos - que trazia para a pauta a problemática sobre a revitalização dos “monumentos nacionais” localizados em áreas ocupadas por segmentos da sociedade que não, necessariamente, compartilham das concepções que constituem esses bens como monumentos.
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“(...) resolvemos circunscrever a área da pesquisa em torno de um bem, e foi aí que selecionamos a Capela São Miguel Paulista.”
“(...) escolhemos a capela para um estudo de caso.”
“queríamos descobrir o que lá era considerado arte”
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“A proposta (...) era de que fosse pensada uma forma de revitalização da capela junto com os seus eventuais futuros usuários.”
“todo trabalho de escavação, quase que de arqueologia cultural, parte necessariamente do que é mais visível.”
“O nosso ponto de partida foram as Sociedades Amigos de Bairro, os terreiros, as igrejas, os clubes de futebol, o número incrível de associações de todo tipo que lá pudemos encontrar.”
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O estudo resolveu abarcar mais dois bairros para além do bairro da capela, pois compreendeu que eles possuíam modos de vida similares, problemas similares e que as mesmas pessoas transitavam entre eles. Sugerindo que, portanto, faziam parte de um mesmo grupo social.
a meta era encontrar grupos – produtores de arte local (e marginalizada) - com os quais pudéssemos discutir a revitalização da Capela de São Miguel Paulista.
JEUDY - QUESTÕES SOCIAIS DOS NOVOS PATRIMÔNIOS
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INTRODUÇÃO
A preservação cultural dos objetos e dos costumes muda de forma e de finalidade? (sim)
Por trás das preocupações habituais da salvaguarda dos patrimônios, manifesta-se o desejo de valorizar as memórias coletivas das sociedades.
Os monumentos não são mais suficientes, a grande onda do “retro” fez surgir a vontade de apropriar-se e cuidar dos traços de um passado recente.
Porque os museus multiplicam objetos para testemunhar a riqueza da produção cultural, da inovação técnica ou da dinâmica da significação dos modos de vida?
“Nada parece conseguir escapar a esse empreendimento de estocagem e classificação.”
A conservação está aí para promover estratégias asseguradoras diante da ameaça de desaparecimentos dos signos culturais da identidade.
A museologia viria em socorro ante o desmoronamento das crenças nos grandes valores da humanidade, seria a reserva de transmissão dos conhecimentos e das práticas, constituindo-se num verdadeiro teatro das memórias. Talvez a “velha museologia”, este aspecto mudou com as premissas da NOVA museologia.
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Da reinstituição das identidades culturais a um trabalho de tratamento das memórias coletivas as razões de modernizar a própria ideia de conservação (manutenção do que seria o objeto ideal à conservação) constituem a lógica dessa reabilitação do sentido.
A (contínua) busca das identidades culturais acaba motivando e dinamizando as práticas e políticas de conservação (voltadas à que? Com qual abordagem?)
Desde então, conservar não quer mais dizer preservar, ou salvaguardar, mas primeiramente restituir, reabilitar ou reapropriar-se. Ou manter-se em loco, mesmo que em etapas, com processos contínuos para algo muito longo).
Em seus próprios territórios os grupos sociais sofreriam com o desaparecimento dos seus referenciais culturais.
Daí o consenso em torno de uma reprodução ativa das imagens da cultura. Ao invés de serem inerentes as mentalidades, as representações das diferentes culturas apresentam-se como objetos a serem percebidos, lidos, estudados. A cultura não se encontra mais na cabeça das pessoas, mas diante delas, composta de um número enorme de signos a serem descobertos e interpretados, ou ainda, revividos como a expressão de uma tradição incontestável. A necessidade de cultura, traduz-se por uma “objetalização” da cultura.
As pessoas se sentem vivas frente a historicidade que se reproduz sobre a natureza física do objeto.
Com isso, todos os signos culturais podem ser estocados, programados, postos em exibição nos museus a fim de transformarem-se em meios de animação sociocultural.
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A ruína não representa a degradação ou perda de uma possível identificação, ela é fundadora do imaginário histórico.
Por isso é importante não recobrir erros, acidentes, ou silenciar conflitos. Eles precisam estar evidentes, daí a documentalidade do objeto.
O museu deve ser território de conflitos tais quais os sentidos que atravessam seus semiófilos.
A visão estática dos objetos da memória presos a contextos de rememoração nostálgica é a própria morte das culturas.
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QUESTÕES SOCIAIS DOS NOVOS PATRIMÔNIOS
Os monumentos considerados bem comum, tem a função patrimonial de fornecer uma imagem social da eternidade e transcendência da história, que segundo ideais que lhes são próprios, garantem a reprodução das mentalidades coletivas.
Composto de monumentos e obras de arte, o patrimônio encontra seus limites e é determinado em função de critérios históricos e estéticos.
A exclusão ou abandono de objetos considerados “menores” reforçam sua aparente coesão.
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As leis também reforçam essa coesão. E “a partir do momento em que a lei e a ideologia não estejam mais, realmente, de acordo, os limites do patrimônio tornam-se pouco nítidos.
“O sentimento do passado de que falava Victor Hugo varia de acordo com as épocas e não se satisfaz necessariamente com as políticas culturais desenvolvidas para a conservação do patrimônio.”
Em texto citado: “(...) impor uma transformação à representação que se tem dos restos (...) a arquitetura não envelhece mais, torna-se antiga.”
Entretanto o que é a lei sem a ressonância?
Criticamente, e com certa dose de sarcasmo, o autor nos fala: “Assim como todo indivíduo viveria mal sem memória, também uma coletividade precisa de uma representação constante do seu passado. Apenas a gestão de um patrimônio e as escolhas de sua representatividade ainda escapam à coletividade que, no entanto, é a sua origem”.
A positividade e a ausência de equívocos do monumento não esgotam a ambiguidade da noção de patrimônio.
Hoje, o patrimônio vai muito além daquilo que é monumental.
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E os monumentos, por sua vez, deixaram de ser apenas castelos, igrejas, obras de arte para abarcarem cafés, prédios industriais, fundições, curtumes, lavatórios, etc..
Ao invés de ser considerado uma aquisição, o patrimônio apresenta-se como conquista e apropriação social, desafiando assim a regularidade burocrática da classificação em monumentos históricos.
A representação da monumentalidade varia com a crise dos valores, ela segue a mobilidade atual das referências culturais.
Essa multiplicidade de instâncias de significação, de tradução de outros sentidos possíveis confere aos “novos” patrimônios o papel complexo de sintoma de uma crise da monumentalidade e de promotor de outras formas da simbolização dos objetos e dos signos culturais.
As grandes transformações da produção industrial deixam atrás de si objetos, signos e vestígios vivos de uma cultura técnica. Essa arqueologia industrial, ameaçada de desaparecimento pelo próprio ritmo de inovação tecnológica, clama por uma concepção de patrimônio.
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“Todavia, a “formalização” de um patrimônio, sua gênese, sua atualização, partem do mesmo princípio, a salvaguarda, pura e simples, não basta, ela deve ser estimulada por um interesse coletivo de apropriação e de reconhecimento.”
“Se o monumento designa o passado, o patrimônio articularia o passado ao devir.”
Essa aliança “reencontrada” entre a tradição e a modernidade dependem cada vez mais das descobertas etnológicas. A etnologia faz com que novas concepções do patrimônio se fundamentem numa dinâmica de memórias coletiva. Ou seja, se por um lado ela organiza “escavações culturais”, de outro lado ela organiza os achados em complexas redes socioculturais, podendo inclusive propor rearranjos a partir de uma compreensão inicial objetivada.
“A etnologia rompe com o determinismo da monumentalidade propondo um plano científico e de natureza prospectiva à gênese dos “novos patrimônios”.
“O consenso estabelecido em torno da conservação dos patrimônios é abalado pela diversidade e contradições das representações do devir da memória das sociedades. A organização e o tratamento dessas formas da memória coletiva é que contém os germes de uma crítica própria da ideia de patrimônio.”
A discussão contínua a respeito dos patrimônios é sobretudo a garantia de que se manterem vivos e relevantes. Discutir a sua relevância é discutir os valores que o sustentam.
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“Assim, todos os aspectos da vida social passada e presente tornam-se objetos de investigação cultural. (...) Elementos fundadores de uma interrogação sobre o sentido das mutações da sociedade”.
A etnologia nos traz elementos complexos, que aparecem e desaparecem em feixes, e uma historicização desses elementos parece restituir analogias que servem para fundar um “fio-condutor”. Ou um turbilhão como diria Benjamin (será?)
De maneira implícita ela valoriza o fato de que uma sociedade reencontra circunstâncias relativamente próximas de seu desenvolvimento.
Práticas e modos de vida ainda hoje presentes tornam-se objeto de uma etnologia historicizante.
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1 – O sentido fragmentado dos patrimônios
Que seria de uma sociedade que não produzisse mais ou que destruísse toda forma monumental?
Como a ideia de monumentalidade ainda se encontra ligada a sacralidade pode ser observado quando percebemos, por exemplo, como o vandalismo a monumentos soa como sacrilégio.
Se o sentido do monumental contínua na prática o mesmo, há de se observar que suas finalidades mudaram.
“Valor e monumentalidade estão portanto ligados, e o patrimônio continua sendo o essencial de uma teatralização social, uma vez que consagra as próprias imagens das memórias coletivas para além da temporalidade da vida cotidiana.”
“Tal vínculo atemporal que ele expressa torna-se complexo quando se trata de um patrimônio mais recente. O aspecto da monumentalidade não é evidente, mesmo que a ideologia da conservação continue fundamentar-se nele.”
Conservação não se define apenas em termos arqueológicos ou estéticos da tradição do patrimônio, mas dentro do processo de decisão econômica ou urbanísticas.
A ideia de “novo patrimônio” é equívoca, pois baseia-se na salvaguarda de símbolos que a conservação cultural tradicional não levava em conta. Por tanto é um movimento disruptivo, e por isso mesmo, necessita de coprodução popular para uma ressonância imediata baseada na participatividade.
Assim a promoção dos “novos” patrimônios coincidiria com a universalização de um conhecimento ativo e pluridimensionado que transforma a operação museal em um eixo de comunicação social. - Tensões sociais podem inclusive se tornar aparentes através de processo de musealização ativo e dialógico com as diversas vozes.
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A reapropriação do sentido, sua redistribuição cultural e a produção de novos patrimônios também nos faz repensar as dinâmicas das memórias coletivas e identidades culturais, como são produzidas e como se distinguem, como se consagram como semiófilos da cultura.
Um verdadeiro processo epistemológico acerca da própria finalidade da conservação.
Evidentemente, um tal idealismo não para de aumentar a força do equívoco.
A vida industrial, suas ferramentas e localizações podem ser objeto de uma “nova” forma de conservação sem correr o risco de transformar-se em imagens petrificadas. Como acreditar numa dinâmica da salvaguarda que ultrapasse o próprio perigo de petrificação dos símbolos manipulados?
A obstinação neo humanista em produzir um imaginário social das memórias coletivas conduziria a um questionamento que se antepõe às respostas.
Estes novos patrimônios - não se trataria, portanto, de uma nova ética? Uma reconquista do sentido dos modos de vida?
Então as funções habituais do patrimônio seriam ultrapassadas, transformadas numa interrogação coletiva sobre as próprias modalidades de mutação das sociedades.
Patrimônio do amanhã, patrimônio do futuro. O passado projetado no futuro, única resposta ao presente. Uma vasta sementeira de sentidos pronuncia-se no momento em que os efeitos da desestruturação econômica e social engendram a derrocada das crenças.
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Uma sociedade só pode sobreviver idealmente às mutações através da sua automuseografia?
Como poderiam surgir outras categorias de laços sociais numa memória coletiva ainda embrionária, se o sistema de classificação dos Monumentos históricos fortaleceu o funcionamento de uma memória em si mesma monumental?
Por que uma memória coletiva seria necessariamente submetida à conservação patrimonial?
Um indivíduo não cuida da sua memória como se ela fosse um patrimônio?
Uma vez reconstituída tal ou qual parte de um patrimônio regional, e transformada em objeto de museu, a memória coletiva que contém esta parte corre o risco de anular-se na própria demonstração de seus signos e traços.
A partir daí a memória deve apresentar-se como campo de investigação, se quiser permanecer viva, atualizável.
No caso do patrimônio industrial, “renasce uma visão socialmente morta do patrimônio, cuja descoberta é, além disso, frequentemente contemporânea da morte ou do declínio de uma atividade industrial”. (Yves Lequin)
“Trabalhar com as memórias coletivas não constitui uma operação necessariamente conjuradora face uma ameaça de desaparecimento. “
“A própria ideia de novo patrimônio supõe ideologicamente a tentativa de domar e ultrapassar o luto para instaurar investigações culturais que, embora admitindo implicitamente gerir coisas mortas, apresentam projetos, avivem crenças num futuro patrimonial múltiplo e gerador de diferenças ativas.”
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“Daí a importância da interpretação e de seu papel privilegiado em relação a todas as outras maneiras de encarar o luto.”
Se contrapor em termos de políticas a produção do novo patrimônio é também estar a favor de velhas construções ideológicas de um futuro apoiado nas memórias de um passado ocultado em demasia. (preto e branco).
A história não é apenas monumental; ela é “importante enquanto memória coletiva do passado, consciência crítica do presente e premissa operatória do futuro”. (Franco Ferraroti)
JEUDY nos recomenda o método sociológico “histórias da vida” de Bertaux.
Se a constituição de um patrimônio reúne, na própria complexidade de sua realização, o trabalho sobre as “histórias da vida” e a investigação etnológica, ela é ainda mais profundamente confrontada com seus próprios paradoxos.
De fato a equivalência metafórica entre “patrimônio”, e “memória coletiva” permanece como algo a ser conquistado.
A museofilia que parece cada vez mais estimular coletivamente os laços constitutivos dos patrimônios e das memórias coletivas.
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2 – O complexo museófilo
Quem na verdade construiu as pirâmides? Os faraós ou os operários?
A mesma pergunta pode ser feita a próposito de toda a produção industrial e da preocupação e da preocupação em valorizar as habilidades dos trabalhadores, responderia ela a uma necessidade de reconhecimento da “histoire venant du bas”?
A reabilitação de um senso coletivo mergulha num desejo museófilo, como se o museu fosse o único meio de dar a essa “histoire venant du bas” um aspecto de história monumental.
Os prazeres da museografia ultrapassam certamente a simples resposta ao instinto de conservação.
“Coletar objetos, prepará-los, reunir relatos e imagens que evocam aspectos da vida passada são atos produtores de uma simbolização ativa e reprodutível ao infinito. “
A diferença entre ir ao museu e “fazer” um museu é minimizada.
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“O desejo de criar um museu tem uma amplitude crescente.”
“Qual seria o sentido dessa “pulsão museófila” coletiva?”
“Encontrar algo num lugar perdido, descobrir-lhe um valor, limpá-lo, prepará-lo para mostrar aos outros a sua beleza e a sua ausência de preço... Constitui um ato que está longe de perder-se!”
“As guerras, as crises podem surgir, mas os pequenos prazeres da restauração continuarão a suscitar o júbilo relacionado ao ato da consagração simbólica do objeto.”
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O desejo de criar as imagens de uma memória coletiva, partilhável, torna necessária a pluralidade e a convergência dos relatos de vida.
Os traços mnésicos de um sujeito confrontam com outros, forjando a representação idealizante de um intercâmbio coletivo de memórias.
O movimento “retro”, em lugar de mergulhar nas práticas obsessivas da coleção e da restauração, atribui-se a imagem da sua própria transcendência na elaboração de uma encenação da memória.
Esse excedente que se legítima pelo retorno espectral dos grandes valores sociais, aposta numa historicização ativa ao multiplicar todas as simulações de contemporaneidade do passado recente.
Engendra uma contradição ativa entre a conservação e a memória.
3 – Investir a memória
A memória deve ser conquistada.
Ela não está se renovando; está em gestação
Resta a possibilidade de investir nela para conferir-lhe múltiplas faces culturais e sociais.
Ao tornar-se marco e finalidade de um vasto programa, a memória não pode ser mais tratada, como tem sido, pela lógica dos Monumentos históricos.
Ela assume esse aspecto enigmático para todos e não mais apenas para os profissionais ...
Torna-se arqueologia social.
Em contrapartida, ..., essa concepção da memória e de sua apreensão pode modificar as relações da percepção dos Monumentos Históricos - podemos por exemplo citar mais recentemente as diversas intervenções a monumentos que simbolizavam poder de genocidas, racistas e ditadores.
No fim do século XX, o trabalho sobre a memória coletiva ganha efervescência popular na tentativa de conservar uma memória prestes a se perder.
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As memórias subjetivas, individuais convergem, forjam um estranho edifício de memória coletiva.
Os relatos, os documentos, tornam-se mais essenciais do que os lugares ou os objetos.
É uma autoetnografia que se esboça.
4- Em direção a um tempo museal
5 – A sombra engendrada pelo desaparecimento
6 – A musealização como ficção da troca simbólica
7 – O social, objeto de museologia
8 – Os estereótipos da memória coletiva
9 – Os espelhos da etnologia não-exótica
COMENTÁRIOS GERAIS E CITAÇÕES DIRETAS
Ambos os autores colocam questões a respeito da ressonância do patrimônio vs a monumentalidade dos objetos elegidos para a representatividade da identidade patrimonial de um lugar, comunidade ou país.
Ambos os autores falam da estrutura ideológica que resguarda a representatividade e o estabelecimento desses bens enquanto monumentos (da nação).
“Todavia, a “formalização” de um patrimônio, sua gênese, sua atualização, partem do mesmo princípio, a salvaguarda, pura e simples, não basta, ela deve ser estimulada por um interesse coletivo de apropriação e de reconhecimento.”
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