RESENHA DO FILME “O CHEIRO DO RALO”
O longa-metragem lançado em 2006 foi roteirizado por Marçal Aquino e Heitor Dhalia, tendo sido dirigido apenas pelo segundo. Trata-se de uma adaptação do romance homônimo, escrito por um dos maiores romancistas contemporâneos do Brasil, Lourenço Mutarelli, que também é professor, ator, dramaturgo e autor de histórias em quadrinhos. A estéticas dos quadrinhos permeia a tragicomédia, com cenários estáticos e elementos sobressalentes. Lourenço, o protagonista é habilmente interpretado por Selton Mello, que se escolheu para o papel ao ficar sabendo da gravação do filme, sentindo ligação com o personagem, foi insistir com o diretor para que fosse ele a interpretá-lo. Em suma, uma produção de alto calão.
A trama centraliza-se na vida do proprietário de um topa-tudo (loja de venda e revenda de objetos usados) que utiliza da necessidade última e irremissível - própria daqueles que levam seus bens até um lugar abjeto como sua loja e aceitam lidar com uma pessoa como ele, para exercer seu poder de forma depravada, transformando seu próprio comércio em um aparato sádico e sua vida num acúmulo de histórias degeneradas aportadas pelos próprios objetos que o circundam.
O cheiro do ralo é a última instâncias das consequências de seu modo de vida. Estando noivo de uma moça que odeia e que vive fugindo, o personagem leva uma vida miserável, sem saber os nomes das pessoas, ignorando a existência e vontade delas, e capitalizando suas necessidades. Almoça sempre em um lugar onde apesar da garçonete lhe tratar muito bem e lhe chamar pelo nome, este só se interessa pela bunda dela. Lourenço odeia a comida do lugar, mas torna-se obcecado pela bunda, por isso vai sempre ao mesmo lugar. Ao voltar usa o banheiro e o cheiro horrível do ralo impregna nos seu escritório, dando vasão a sua própria sordidez nas suas relações com os outros.
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